São Martinho de Dume representa um dos grandes evangelizadores da Península Ibérica no século VI. Assim, este santo missionário dedicou sua vida à conversão dos suevos, combatendo o arianismo e estabelecendo bases sólidas para o catolicismo na região de Braga.
São Martinho de Dume: das origens orientais à formação cristã
Nascido na Panônia, atual Hungria, em 518, São Martinho de Dume demonstrou desde jovem vocação para os estudos eclesiásticos. Então, dirigiu-se para o Oriente, onde professou vida regular monástica. Dessa forma, estudou língua grega e outras ciências eclesiásticas, distinguindo-se rapidamente pelos conhecimentos adquiridos.
Santo Isidoro classificou Martinho como ilustre na fé e na ciência. Do mesmo modo, Gregório de Tours o considerou um dos homens insuperáveis de seu tempo. Por isso, sua reputação de santidade e sabedoria espalhou-se rapidamente pelo mundo cristão. Contudo, Deus preparava maior missão para este servo fiel.
O retorno à Europa e encontro com os suevos
Retornando do Oriente, Martinho dirigiu-se a Roma e França. Assim, travou conhecimento com personalidades eminentes em saber e santidade da época. Dessa forma, quis especialmente visitar o túmulo de seu homônimo São Martinho de Tours. Por isso, considerava o santo francês como seu patrono e modelo de vida episcopal.
Foi nesta época que São Martinho de Dume encontrou o rei dos suevos, Charrarico. Então, acompanhou o monarca para o noroeste da Península Ibérica em 550. Contudo, encontrou ali situação religiosa preocupante. Do mesmo modo, restos do gentilismo misturavam-se com bastante ignorância religiosa, facilitando a propagação do arianismo herético.
São Martinho de Dume e a evangelização dos suevos
Para combater tantos males espirituais, Martinho planejou vigoroso apostolado missionário. Assim, estabeleceu-se num mosteiro edificado pelo próprio rei em Dume, ao lado de Braga. Dessa forma, o mosteiro tornou-se escola de monaquismo e base de irradiação catequética.
A igreja do mosteiro dedicou-se a São Martinho de Tours e foi sagrada em 558. Por isso, em 556, o abade Martinho foi elevado ao episcopado pelo bispo de Braga. Então, seu exímio saber e extraordinário zelo justificavam plenamente esta promoção. Contudo, com a subida ao trono do rei Teodomiro em 559, consumava-se finalmente o regresso dos suevos ao catolicismo.
O legado episcopal e conciliar do santo
Em 569, Martinho assumiu a sé de Braga quando o catolicismo gozava de alto esplendor na região. Assim, tornou-se possível realizar o primeiro Concílio de Braga em 561, durante o pontificado de João III. Dessa forma, em 572, foi Martinho a alma do segundo Concílio de Braga.
Do mesmo modo, não esqueceu da importância do apostolado pela escrita. Por isso, deixou várias obras sobre virtudes monásticas e matérias teológicas. Então, faleceu em 20 de março de 579, sendo sepultado na catedral de Dume. Enfim, desde 1606, suas relíquias repousam na sé de Braga, onde é padroeiro principal da arquidiocese desde 1985.