26/06 – São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá representa uma das figuras mais influentes da espiritualidade católica moderna, transformando radicalmente a compreensão sobre santidade no mundo contemporâneo. Além disso, sua visão inovadora sobre a santificação do trabalho ordinário influenciou profundamente o Concílio Vaticano II. Portanto, compreender sua trajetória significa conhecer um precursor da renovação espiritual do século XX.

Nascido em Barbastro, Espanha, em 9 de janeiro de 1902, Josemaría foi o segundo dos seis filhos de José Escrivá e María Dolores Albás. Seus pais católicos fervorosos batizaram-no quatro dias após o nascimento e transmitiram-lhe os fundamentos da fé através de sua vida exemplar. Primeiramente, desenvolveu grande afeição por sua mãe e profunda confiança no pai, que sempre o encorajava a compartilhar suas preocupações.

Desde cedo, o Senhor temperou sua alma na forja da dor através de provações familiares severas. Inicialmente, entre 1910 e 1913, perdeu três irmãs mais novas. Subsequentemente, em 1914, a família enfrentou colapso econômico, obrigando-os a mudar-se para Logroño em condições modestas. Posteriormente, em 1924, seu pai faleceu subitamente de síncope cardíaca, pouco antes de sua ordenação sacerdotal.

São Josemaría Escrivá: da vocação sacerdotal ao Opus Dei

No inverno de 1917-18, durante as férias de Natal, Josemaría observou pegadas congeladas deixadas na neve por pés descalços de um carmelita. Imediatamente, perguntou-se: “Se outros fazem tantos sacrifícios por Deus e pelo próximo, não poderei oferecer-lhe nada?”. Consequentemente, nasceu uma “inquietude divina” em sua alma, levando-o a decidir tornar-se sacerdote.

Iniciou os estudos eclesiásticos no seminário de Logroño e, posteriormente, transferiu-se para Saragoça em 1920. Simultaneamente, completou os estudos de direito na capital aragonesa. Seu empenho exemplar em piedade, disciplina e estudo impressionou os superiores. Consequentemente, aos 20 anos, o arcebispo de Saragoça nomeou-o inspetor do seminário.

Durante esses anos formativos, passava muitas horas em oração diante do Santíssimo Sacramento, estabelecendo bases sólidas para sua vida eucarística. Diariamente, visitava a Basílica do Pilar para pedir a Nossa Senhora que lhe mostrasse o que Deus desejava dele. Finalmente, em 28 de março de 1925, recebeu a ordenação sacerdotal e celebrou sua primeira Missa solene na Santa Capela do Pilar.

Fundador e visionário da santidade universal

Em 2 de outubro de 1928, durante um retiro espiritual em Madrid, Josemaría recebeu uma graça extraordinária. Repentinamente, “viu” a missão que o Senhor lhe confiava: iniciar um novo caminho vocacional na Igreja. Principalmente, deveria promover a busca da santidade através da santificação do trabalho ordinário no meio do mundo, sem mudar de estado de vida.

Poucos meses depois, o Senhor fez-lhe compreender que deveria incluir também as mulheres nesta missão. O objetivo fundamental do Opus Dei consistia em elevar a Deus toda realidade criada, com ajuda da graça divina. Essencialmente, buscava-se conhecer Jesus Cristo, torná-lo conhecido e levá-lo a todos os lugares através da santificação do trabalho profissional.

Em 1933, abriu uma academia universitária, reconhecendo que o mundo da ciência e cultura constituía ponto focal para evangelizar toda a sociedade. Posteriormente, em 1934, publicou a primeira edição de “Caminho” sob o título “Considerações Espirituais”. Atualmente, esta obra alcançou mais de quatro milhões e meio de exemplares em 372 edições e 44 idiomas.

A Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz nasceu em 1943, através de nova graça fundacional recebida durante a celebração da Missa. Esta instituição permitia que sacerdotes das fileiras dos fiéis leigos do Opus Dei fossem incardinados, bem como sacerdotes diocesanos participassem sem alterar sua filiação clerical original.

Finalmente, São Josemaría faleceu em 26 de junho de 1975, vítima de parada cardíaca em sua sala de trabalho, dirigindo seu último olhar para um quadro de Nossa Senhora. O Papa João Paulo II beatificou-o em 17 de maio de 1992 e canonizou-o em 6 de outubro de 2002, reconhecendo eternamente seu legado espiritual revolucionário.

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