20/08 – São Bernardo de Claraval

São Bernardo de Claraval nasceu em 1090, em Fontaines, França, numa família opulenta, tornando-se uma das figuras mais influentes da espiritualidade cisterciense medieval. Consequentemente, sua vida dedicada à contemplação, reforma monástica e orientação espiritual transformou profundamente a Igreja do século XII. Portanto, este santo francês demonstrou como a busca pela perfeição cristã pode influenciar gerações através da sabedoria mística e da ação pastoral.

Inicialmente, Bernardo estudou gramática e retórica durante sua juventude privilegiada. Posteriormente, aos 22 anos, ingressou no Mosteiro fundado por Roberto de Molesmes em Citeaux, berço da reforma cisterciense. Alguns anos depois, corajosamente fundou o Mosteiro de Claraval junto com 12 companheiros, incluindo quatro irmãos, um tio e um primo. Consequentemente, pelo seu exemplo inspirador, muitos de seus parentes também escolheram a vida religiosa.

Fundamentalmente, segundo o espírito de Bernardo, a vida monacal constituía-se de trabalho, contemplação e oração, tendo como estrelas fixas Jesus e Maria. Para o Abade cisterciense, Cristo representava o centro absoluto de tudo: “Para mim, nas discussões ou conversas, se não for pronunciado o nome de Jesus, nada tem sentido”. Simultaneamente, considerava Maria como mediadora essencial que conduz a Jesus, afirmando que nos perigos e incertezas deve-se elevar o pensamento a Maria.

A doutrina espiritual do santo

Magistralmente, no seu escrito “De diligendo Deo”, São Bernardo de Claraval indica o caminho da humildade para atingir o amor divino, exortando a amar o Senhor sem limites. Metodicamente, estabelece quatro degraus fundamentais do amor espiritual que guiam a alma na ascensão mística.

Primeiramente, identifica o “amor de si para si”, onde o homem naturalmente ama-se a si mesmo. Posteriormente, reconhecendo sua limitação, busca a Deus através da fé. No segundo degrau, desenvolve-se o “amor de Deus para si”, amando Deus pelas próprias necessidades. Progressivamente, a alma avança para o terceiro degrau, o “amor de Deus por Deus”, amando Deus não por benefício próprio, mas pela bondade divina em si mesma.

Finalmente, alcança-se o quarto degrau, o “amor de si por Deus”, onde o homem ama-se somente por Deus. Neste estágio sublime, a pessoa esquece admiravelmente a si mesma, tendendo totalmente a Deus até tornar-se um só espírito com Ele. Entretanto, Bernardo adverte que raramente se atinge este grau supremo na vida terrena.

O legado duradouro de São Bernardo de Claraval

Estrategicamente, São Bernardo de Claraval manteve amizade com os Templários, ordem monacal-militar fundada em 1119 por Hugo de Payns, seu parente. Consequentemente, no seu “De laude novae militiae”, descreve os Cavaleiros do Templo como guerreiros espirituais que se armam interiormente com a força da fé.

Após Roberto, Alberico e Stefano, Bernardo tornou-se o verdadeiro pai da Ordem Cisterciense. Frequentemente, a obediência e o bem da Igreja levaram-no a deixar a paz monástica para dedicar-se às questões político-religiosas mais sérias de seu tempo. Principalmente, destacou-se como mestre de orientação espiritual e educador de gerações de santos.

Finalmente, São Bernardo de Claraval faleceu em 20 de agosto de 1153, sendo proclamado santo pelo Papa Alexandre III em 1174. Posteriormente, o Papa Pio XII dedicou-lhe a encíclica “Doctor Mellifluus”, recordando suas palavras: “Jesus é mel na boca, suave concerto aos ouvidos, júbilo ao coração”. Assim, permanece venerado como o “Doutor Melífluo” da Igreja.

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