Santa Paula Cerioli transformou tragédias pessoais devastadoras em fecunda missão educativa e caritativa. Assim, esta viúva italiana do século XIX fundou institutos dedicados a crianças abandonadas. Dessa forma, converteu sua maternidade frustrada em maternidade espiritual universal, inspirando-se na Sagrada Família de Nazaré.
Do casamento arranjado às perdas irreparáveis
Nascida como Costanza Cerioli em 28 de janeiro de 1816 em Soncino di Cremona, Paula vive infância dócil e obediente. Então, dos onze aos dezesseis anos estuda em internato de irmãs salesianas em Alzano di Bergamo. Por isso, retornando aos lugares de origem, dispõe-se livremente aos desejos de seus pais. Dessa forma, aos dezenove anos casa-se com homem de cinquenta e oito anos residente em Comonte di Seriate. Juntos geram quatro filhos, três dos quais morrem prematuramente.
Contudo, Carlo, o sobrevivente, vive até dezesseis anos. Assim, faz explodir nela simultaneamente alegria e amargura de maternidade esmagada. Então, o casamento vivido em solidão e devoção termina cedo de forma libertadora mas problemática. Do mesmo modo, permanecendo viúva aos trinta e nove anos, entra em profunda crise existencial buscando sentido divino nas perdas sofridas.
Santa Paula Cerioli: a profecia do filho moribundo
Um discernimento cansativo e exigente guiado por Dom Alessandro Valsecchi e pelo Bispo Pietro Luigi Speranza conduz-a gradualmente. Assim, confia-se ao Senhor com renovado entusiasmo espiritual. Dessa forma, sente próprio desejo de maternidade revitalizado intrinsecamente pelas palavras proféticas de Carlo moribundo. Por isso, ele lhe diz: “Mãe, não chores pela minha morte iminente, porque Deus te dará muitos mais filhos”. Dócil à orientação do paciente diretor espiritual, elabora positivamente as próprias tragédias.
Então, entrega-se totalmente à fé, esperança e caridade cristãs. Contudo, escreve humildemente: “Peço que me abençoe pois também sou ovelha desgarrada, mas cheia de bons desejos para reparar vida fria ao serviço de Deus”. Do mesmo modo, compreende que Deus castigou-a com desgraças para transformá-la interiormente. Enfim, aceita providencialmente o plano divino misterioso sobre sua existência.
A inspiração da Sagrada Família de Nazaré
Num invulgar ímpeto de caridade, Santa Paula Cerioli socorre diariamente necessitados e enfermos ao redor. Assim, contemplando Nossa Senhora das Dores e sentindo-se guiada por São José, compreende revelação extraordinária. Dessa forma, as palavras de Carlo realizam-se no mistério da Sagrada Família de Nazaré. Por isso, Maria e José cooperam admiravelmente no desígnio salvífico do Pai celeste.
Ela própria testemunha posteriormente: “Estas palavras apertaram meu coração fazendo-me interpretá-las no sentido oposto, ignorando como alma inocente havia penetrado nos segredos de Deus”. Então, esta contemplação transforma lentamente sua ação caritativa. Contudo, direciona-a especificamente para crianças mais solitárias e abandonadas. Do mesmo modo, torna-se projeto apostólico com companheiros para dar futuro a quem, sem família digna, não tem futuro.
Santa Paula Cerioli: casas e escolas para órfãos
Madre Cerioli percebe imediatamente o poder educativo da família. Assim, escreve sobre missão dupla de mestra e mãe: “É dever estrito reler instruções apropriadas sobre educar as Filhas de São José, para não errar em ponto tão importante como cuidar correta e sabiamente de sua dupla missão”. Dessa forma, suas casas e escolas nascem com intuito de promover crescimento de toda sociedade a partir da família. Preocupa-se simultaneamente com sucesso escolar e problema da pobreza infantil. Por isso, atende especialmente crianças sem família estruturada. Então, em 24 de dezembro de 1865, após década de vida intensa e laboriosa, falece com menos de cinquenta anos. Contudo, tinha acabado de iniciar instituições feminina e masculina em favor de crianças abandonadas. Enfim, João Paulo II proclama-a Santa em 16 de maio de 2004.