A Apresentação de Nossa Senhora no Templo representa um momento sublime da vida de Maria, recordando assim o dia em que, ainda criança, vai ao templo de Jerusalém para se consagrar a Deus. Dessa forma, esta celebração mariana nos convida a refletir sobre nossa própria consagração e entrega total aos planos divinos.
Apresentação de Nossa Senhora no Templo: origens tradicionais e ciclo mariano
A festa recorda, segundo os Evangelhos apócrifos, o dia em que Maria se apresenta no templo para dedicar-se inteiramente ao Senhor. Então, depois de celebrar a Natividade de Maria Santíssima no dia 8 de setembro e quatro dias depois a Festa do Seu Santíssimo Nome, o Ciclo Mariano celebra esta Apresentação da jovem filha da bênção.
Por isso, a memória que a Igreja celebra hoje não encontra fundamentos explícitos nos Evangelhos Canônicos, mas algumas pistas no protoevangelho de Tiago. Assim, a validade do acontecimento possui real alicerce na Tradição que o liga à Dedicação da Igreja de Santa Maria Nova, construída em 543, perto do templo de Jerusalém. Do mesmo modo, a Igreja não pretende dar realce apenas ao acontecimento histórico, mas ao dom total da jovem de Nazaré. Enfim, ela se preparou para ser “templo do Filho” ao ouvir que “bem-aventurados os que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática”.
Manuscritos apócrifos e tradição litúrgica
Os manuscritos não canônicos contam que Joaquim e Ana, por muito tempo, não tinham filhos, até que nasceu Maria. Dessa forma, sua infância dedicou-se total e livremente a Deus, impelida pelo Espírito Santo desde sua concepção imaculada. Assim, tanto no Oriente quanto no Ocidente observamos esta celebração mariana nascendo do meio do povo e sendo acolhida pela Liturgia Católica.
Por isso, esta festa aparece no Missal Romano a partir de 1505, buscando exaltar Jesus através daquela que soube fazê-lo perfeitamente com a vida. Então, Santo Agostinho partilha em um de seus sermões: “Fez Maria totalmente a vontade do Pai e por isso mais valeu para ela ser discípula de Cristo do que mãe de Cristo“. Do mesmo modo, ele continua: “Maria era feliz porque já antes de dar à luz o Mestre, trazia-o na mente”. Enfim, estas palavras revelam a profundidade da consagração mariana.
A Apresentação de Nossa Senhora no Templo: modelo de consagração
A vida de Maria no Templo constituiu um profundo ato de amor e consagração de si mesma aos planos do Senhor. Dessa forma, a festa nos leva a pensar em nossa própria consagração a Deus e a refletir sobre a graça que recebemos por meio do batismo. Por isso, amar a Deus e servi-Lo é compromisso ao qual nenhum cristão pode renunciar.
Assim, a Beata Maria do Divino Coração dedicava devoção especial a esta festa, querendo que os atos mais importantes de sua vida se realizassem neste dia. Do mesmo modo, foi no dia 21 de novembro de 1964 que o Papa Paulo VI, na clausura da 3ª Sessão do Concílio Vaticano II, consagrou o mundo ao Coração de Maria. Então, declarou Nossa Senhora Mãe da Igreja, confirmando a importância desta data. Enfim, esta consagração papal demonstra como a Apresentação de Maria continua inspirando atos de entrega total a Deus.
Celebrações contemporâneas e significado espiritual
Neste dia de festa, o “dom” que Maria faz de si a Deus se entrelaça com seu compromisso de viver a vida animada pela fé. Contudo, na certeza de que o próprio Deus providenciará tudo, como vemos no exemplo de Abraão. Dessa forma, quando para o homem tudo parece impossível, tudo se torna possível para quem acredita em Deus.
Por isso, é preciso, com fé, confiar na intercessão de Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe. Assim, neste mesmo dia 21 de novembro celebra-se também Nossa Senhora da Saúde, festa instituída na República do Vêneto em 1630. Do mesmo modo, esta festa espalhou-se por toda parte após a epidemia que atingiu o norte da Itália entre 1630 e 1631. Então, por desejo de Pio XII, a Igreja também celebra, desde 1953, o “Dia das Monjas de Clausura”. Enfim, estas celebrações convergem para exaltar a consagração total a Deus, seguindo o exemplo sublime de Nossa Senhora.
Nossa Senhora da Apresentação, rogai por nós!