09/04 – Beata Lindalva Justo de Oliveira

A Beata Lindalva Justo de Oliveira nasceu em 20 de outubro de 1953, no povoado Sítio da Areia, em Açu (RN). Como sexta filha de uma família com 14 irmãos, ela cresceu cercada por fé, trabalho e simplicidade. Seu pai, João Justo da Fé, estudava as Escrituras com ela e a levava à missa. Já sua mãe, Maria Lúcia da Fé, lhe ensinou a cuidar da casa, das crianças e dos pobres — sem nunca abandonar os estudos.

Ainda jovem, Lindalva demonstrou zelo com a fé e dedicação ao próximo. Após terminar o ensino fundamental, ela se mudou para Natal, onde começou a trabalhar e frequentar ativamente a Igreja. Nesse período, uma amiga chamada Conceição a apresentou às Filhas da Caridade. Lindalva logo se encantou pela vocação religiosa.

Viveu para servir com amor

No dia 16 de julho de 1989, Lindalva ingressou oficialmente na Congregação das Filhas da Caridade, durante uma missa celebrada por Dom Hélder Câmara. Logo após, escreveu com entusiasmo: “Estou muito feliz. É como se eu sempre tivesse morado aqui.” Em 1991, concluiu o noviciado e, em seguida, partiu para sua primeira missão.

As superioras enviaram Lindalva para o abrigo Dom Pedro II, em Salvador (BA), onde assumiu o cuidado dos idosos com alegria, zelo e fé. Ela cantava, rezava o Terço e acolhia a todos com ternura. Fora do abrigo, atuava no Movimento Voluntárias da Caridade, visitando enfermos nas periferias da capital baiana.

Apesar de toda essa entrega, Lindalva enfrentou um desafio inesperado. Em janeiro de 1993, um homem chamado Augusto passou a frequentar o abrigo. Quando ele se apaixonou por ela, tentou se aproximar diversas vezes, mas Lindalva manteve firme sua consagração e seus limites. Ela confidenciou a colegas: “Prefiro que meu sangue se derrame do que ir embora.”

O martírio da Beata Lindalva Justo de Oliveira e sua beatificação

Na manhã da Sexta-feira Santa, em 9 de abril de 1993, Irmã Lindalva participou, como de costume, da Via-Sacra com os idosos do abrigo. Logo depois, ela retornou ao pavilhão e começou a servir o café da manhã. Nesse momento, Augusto aproximou-se pelas costas e, de forma inesperada, desferiu uma facada fatal em sua clavícula. Embora Lindalva já estivesse caída, ele insistiu na violência e perfurou seu corpo 44 vezes com brutalidade.

A polícia chegou rapidamente e prendeu Augusto ainda no local. Durante o interrogatório, ele confessou que cometeu o crime porque Lindalva, com firmeza, nunca cedeu aos seus avanços. Além disso, demonstrou ressentimento por sua fidelidade à vocação.

Contudo, mesmo diante da brutalidade do martírio, a fé permaneceu como testemunho. Em 2 de dezembro de 2007, a Igreja celebrou sua beatificação com a presença de mais de 25 mil fiéis, durante uma cerimônia presidida pelo Cardeal Dom Geraldo Majella Agnelo, no estádio Barradão, em Salvador. Como Lindalva entregou a vida por causa da fé e da castidade, a Igreja reconheceu seu martírio e, por isso, dispensou a comprovação de milagre.

Atualmente, a Igreja celebra sua memória em 7 de janeiro, dia em que ela recebeu o batismo. Além disso, o Vaticano já analisa um possível milagre atribuído à sua intercessão, o que, eventualmente, poderá abrir caminho para sua canonização.

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