Santo André Dung-Lac representa o líder de um dos maiores grupos de mártires da história da Igreja, composto por 117 missionários que sofreram martírio no Tonquim, Anam e Cochinchina, regiões do atual Vietnã. Assim, numa celebração comum a Igreja venera oito bispos, muitos presbíteros e ingente número de fiéis de ambos sexos e todas condições. Dessa forma, abraçaram desterro, cárceres, tormentos e cruéis suplícios por recusarem calcar a cruz e abjurar da fé cristã. Por isso, constituem testemunho extraordinário da força da união comunitária em favor da fé durante séculos de perseguição sistemática.
Cristianismo no Vietnã e perseguições
O cristianismo chegou ao Vietnã no início do século XVI por obra do padre Alexandre Rhodes, jesuíta francês considerado “apóstolo da jovem Igreja asiática”. Então, o país dividia-se em três regiões: Tonquim, Anam e Cochinchina. Assim, em 1645 as autoridades expulsaram-no do país e desde então a situação dos cristãos tornou-se cada vez mais difícil. Do mesmo modo, sucessivas ondas de perseguições alternavam-se com breves períodos de paz.
Dessa forma, de 1645 a 1886 as autoridades emitiram 53 editais contra cristãos no Vietnã, causando morte de 113 mil fiéis. Contudo, diante da firmeza de sua fé, a monarquia vietnamita determinou dispersão e confisco dos bens cristãos. Enfim, esta perseguição sistemática produziu numerosos mártires que selaram testemunho com o próprio sangue.
Santo André Dung-Lac e seu ministério
Tran An Dung nasceu em Bac Ninh em 1795 no seio de família tão pobre que os pais confiaram-no aos cuidados de catequista católico para garantir sobrevivência. Por isso, o catequista educou-o na fé e batizou-o com nome de André. Então, este futuro mártir recebeu ordenação sacerdotal e em 1823 tornou-se vice-pároco em Dongchuan. Assim, os fiéis conheciam-no por estilo de vida simples, assistência assídua aos pobres e sobriedade em tudo.
Do mesmo modo, em 1833 após celebração da Missa, guardas imperiais prenderam-no pela primeira vez. Dessa forma, quando os fiéis o resgataram mediante pagamento de alta soma arrecadada, decidiu mudar nome de Dung para Lac para chamar menos atenção. Contudo, arriscou evangelizar populações das províncias mais perigosas de Hanói e Nam-Dihn.
Martírio e canonização
No final de 1839, as autoridades prenderam André pela terceira vez junto com irmão Pedro. Enfim, começou a entender que Deus o chamava para martírio: o Senhor queria que banhasse com próprio sangue aquela terra atormentada. Por isso, pediu ao bispo para não pagar por sua libertação demonstrando aceitação do destino martirial.
Assim, durante transferência para prisão de Hanói, muitos fiéis reuniram-se chorando, mas ele encorajava todos recomendando que continuassem vivendo segundo ensinamentos da Igreja. Dessa forma, na nova prisão os guardas obrigaram os dois irmãos sacerdotes a pisar na cruz, mas responderam ajoelhando-se e beijando-a. Então, os executores decapitaram ambos em 21 de dezembro no portão de Cau-Giay. Do mesmo modo, São João Paulo II canonizou os 117 mártires em 1990, incluindo 96 vietnamitas, 11 espanhóis dominicanos e 10 franceses missionários.