Virtudes teologais: fé, esperança e caridade infundidas por Deus

Virtudes teologais representam três dons sobrenaturais que Deus infunde na alma do cristão na justificação. Assim, estas virtudes – fé, esperança e caridade – unem diretamente o homem a Deus como fim último sobrenatural. Dessa forma, distinguem-se das virtudes morais por versarem sobre o próprio Deus, não sobre as criaturas.

O que são as virtudes teologais e seus nomes

Ao ser justificado por Deus, o homem recebe simultaneamente três dons infusos. Então, a tradição católica, amparada na Sagrada Escritura, identifica-os como virtudes teologais. Por isso, podem ser designadas de várias maneiras conforme aspecto considerado. Dessa forma, chamam-se “virtudes católicas” pelo sujeito (o cristão fiel), “virtudes infusas” pela causa (Deus pela graça), ou “virtudes teológicas” pelo meio de conhecimento (revelação divina). Em sentido estrito, as virtudes teologais distinguem-se por seu objeto próprio. Assim, a fé tem como objeto a Verdade primeira comunicada.

Contudo, a esperança tem como objeto a suma Bondade enquanto bem para nós. Então, a caridade tem como objeto a suma Bondade enquanto bem em si mesmo. Do mesmo modo, cada uma possui forma específica de unir-nos a Deus.

Virtudes teologais: hábitos operativos que nos unem a Deus

É de fé que existem virtudes teologais ao modo de hábitos operativos infusos. Assim, responsabilizam-se por nos unirem a Deus, nosso fim último sobrenatural. Dessa forma, a Igreja ensinou esta doutrina em multidão de documentos ao longo dos séculos. Por isso, constitui verdade católica definitiva e irrevogável.

Então, ninguém pode duvidar de sua existência sem errar na fé. É doutrina certa que estes hábitos versam sobre o fim, que é Deus em si mesmo. Contudo, distinguem-se das virtudes morais infusas, que têm por objeto os meios, isto é, as criaturas. Do mesmo modo, há exatamente três virtudes teologais por cujos atos nos unimos a Deus. Assim, correspondem aos três principais atos de nossas duas potências espirituais: intelecto e vontade. Enfim, a fé radica no intelecto, enquanto esperança e caridade radicam na vontade.

A distinção entre fé, esperança e caridade

A , que é hábito do intelecto, une-nos a Deus pelo ato de entendimento. Assim, fazemos anuência às verdades reveladas aceitas pela autoridade divina. Dessa forma, cremos no que Deus revelou mesmo sem compreender plenamente. Por isso, a fé é início necessário de toda vida sobrenatural cristã. Na vontade radicam outros dois hábitos distintos. Então, a esperança tem como ato querer ou aspirar a Deus como bem sumamente árduo, mas possível. Contudo, a caridade tem como ato propriamente o amor a este bem divino. Do mesmo modo, a esperança distingue-se da caridade como movimento em direção ao fim distingue-se da conformidade do apetite com o fim. Enfim, enquanto esperança tende a Deus futuro, caridade já se une a Deus presente pela graça.

Virtudes teologais: ordem de geração e de perfeição

Entre as três virtudes teologais distingue-se dupla ordem diferente. Assim, na ordem de geração, primeiro vem a fé, depois a esperança e por último a caridade. Dessa forma, segue analogia com atos das potências: primeiro conhecimento, depois volição imperfeita, por último volição perfeita. Por isso, a vontade só pode apetecer o bem que o intelecto antes lhe apresenta.

Na ordem de perfeição, primeiro vem a caridade, que tem Deus por objeto enquanto bem divino amável em si mesmo. Então, depois vem a fé, que tem Deus por objeto enquanto verdade divina cognoscível sob luz da graça. Contudo, por último vem a esperança, que tem Deus por objeto enquanto bem divino apetecível com amor de concupiscência. Enfim, São Paulo ensina que a caridade é a maior das três, pois aperfeiçoa os atos das outras tornando-os meritórios.

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