Os protomártires do Brasil representam os primeiros mártires da fé católica em território brasileiro, constituindo grupo de 30 católicos que holandeses calvinistas mataram por ódio à fé em 1645. Assim, estes mártires incluem dois padres diocesanos e 28 leigos que sofreram perseguição dos holandeses calvinistas no Rio Grande do Norte. Dessa forma, o contexto histórico envolve as guerras religiosas que ensanguentaram a Europa e colônias entre os séculos XVI e XVII. Por isso, o Papa João Paulo II beatificou-os em 5 de março de 2000, reconhecendo seu testemunho supremo de fidelidade ao catolicismo.
Contexto histórico dos Protomártires do Brasil
A evangelização no Rio Grande do Norte iniciou-se em 1597 quando missionários jesuítas e padres diocesanos vindos de Portugal começaram a catequese dos índios e formaram as primeiras comunidades cristãs. Então, nas décadas seguintes franceses e holandeses desembarcaram com intenção de expulsar os portugueses. Assim, em 1630 os holandeses estabeleceram-se no Nordeste brasileiro com confissão calvinista acompanhados de seus pastores.
Do mesmo modo, criaram forte conflito na região quando restringiram a liberdade de culto aos católicos que passaram a sofrer perseguições. Dessa forma, os holandeses calvinistas demonstravam verdadeira aversão aos católicos estabelecendo clima de terror religioso. Contudo, as comunidades católicas mantiveram-se fiéis à sua fé apesar das ameaças constantes.
Martírio em Cunhaú e Uruaçu
O primeiro martírio aconteceu em 16 de julho de 1645 em Cunhaú, na capela de Nossa Senhora da Purificação onde o Padre André de Soveral oficiava. Então, durante a celebração dominical da missa, Jacó Rabe apareceu anunciando importantes comunicações governamentais. Assim, logo após a consagração, soldados holandeses com índios Tapuias e Potiguari invadiram o local sagrado trancando as portas e atacando ferozmente os fiéis indefesos.
Por isso, o Padre André de Soveral, que os invasores forçaram a interromper a celebração, conseguiu cantar as orações dos moribundos com os fiéis. Dessa forma, os soldados massacraram todos à espada exceto cinco portugueses que fizeram reféns. Do mesmo modo, os assassinos saquearam cadáveres e causaram estragos no local. Enfim, mais de sessenta católicos morreram, mas historiadores conhecem apenas o nome do pároco e do leigo Domingo Carvalho.
Segundo martírio e beatificação
O segundo momento aconteceu em 3 de outubro de 1645 em Uruaçu quando católicos de Natal buscaram segurança em abrigos improvisados. Contudo, soldados holandeses e cerca de 200 índios comandados pelo cacique Antonio Paraopaba, que se converteu ao protestantismo calvinista, prenderam-nos. Então, os fiéis e o pároco Padre Ambrósio Francisco Ferro sofreram torturas horríveis e mutilações desumanas que cronistas da época tiveram horror de descrever detalhadamente.
Assim, dos numerosos fiéis que assassinos mataram por sua fé católica, apenas 30 puderam receber identificação com certeza para o processo de beatificação. Dessa forma, autoridades eclesiásticas realizaram o inquérito diocesano em maio de 1994 na Cúria metropolitana de Natal. Por isso, em 21 de dezembro de 1998 João Paulo II promulgou o decreto sobre o martírio reconhecendo que morreram “in odium fidei”. Enfim, recentemente o Papa Francisco autorizou o processo de canonização dos Protomártires do Brasil, colocando no castiçal da santidade este testemunho supremo de uma comunidade inteira evangelizada.