Os sete dons do Espírito Santo representam graças sobrenaturais infundidas na alma pelo batismo. Assim, estas disposições divinas configuram o cristão a Jesus Cristo, permitindo viver plenamente a filiação divina. Dessa forma, mencionados pelo profeta Isaías e relacionados ao Cordeiro do Apocalipse, aperfeiçoam as virtudes tornando-nos dóceis à ação do Espírito.
A origem bíblica e teológica dos sete dons
Jesus Cristo, o Filho Unigênito do Pai, é o Ungido sobre quem repousa o Espírito Santo. Então, o profeta Isaías anuncia: “Um renovo sairá do tronco de Jessé, e um rebento brotará de suas raízes. Sobre ele repousará o Espírito do Senhor”. Por isso, prossegue narrando os dons: “Espírito de Sabedoria e de Entendimento, Espírito de Conselho e de Fortaleza, Espírito de Ciência e de Temor ao Senhor“. Dessa forma, a Vulgata e a Septuaginta acrescentam a Piedade, obtendo assim o número sete.
O Apocalipse revela que o Cordeiro possui “sete chifres e sete olhos que são os sete Espíritos de Deus”. Assim, este Espírito que habita no Cordeiro possui sete graças que nos configuram a Cristo. Contudo, quando recebemos o batismo, somos agraciados por estes dons de santificação. Do mesmo modo, o Espírito de Cristo atua em nós num processo de assimilação ao Filho Unigênito. Enfim, tornamo-nos templos do Espírito Santo que nos faz clamar “Abbá, Pai”.
Os sete dons relacionados ao conhecimento divino
O dom da Ciência ocupa lugar fundamental na vida espiritual. Assim, faz com que substituamos a mentalidade mundana pela maneira de ver de Deus. Dessa forma, a alma passa a julgar todas as coisas à luz da fé. Por isso, compreende com nitidez o fim sobrenatural do homem e a necessidade de subordinar-lhe todas realidades terrenas.
O dom do Entendimento é disposição sobrenatural que permite captar e compreender mistérios da fé. Então, sob seu influxo a alma penetra de maneira extremamente clara nos mistérios revelados. Contudo, capta o alcance das verdades mais profundas da fé. Do mesmo modo, deixa-se conduzir por caminhos de oração sempre mais vivenciada e profunda. O dom da Sabedoria pode ser definido como disposição sobrenatural da inteligência. Assim, leva a dar valor àquilo que diz respeito às coisas de Deus. Dessa forma, “a sabedoria vale mais que as pérolas e jóia alguma a pode igualar” (Prov 8,11). Por isso, não se aprende nos livros, mas é comunicado à alma pelo próprio Deus. Enfim, ilumina e enche de amor a mente, o coração, a inteligência e a vontade.
Os sete dons relacionados à vida prática e afetiva
O dom do Conselho tem por finalidade aperfeiçoar a virtude da prudência. Então, faz com que a alma possa discernir imediatamente o que deve fazer ou deixar de fazer. Assim, trata-se como que de conjunto de raciocínios iluminados pela graça. Dessa forma, mostra de maneira nítida e precisa o que convém fazer ou evitar. Por isso, esse “golpe de vista” preciso resulta do estudo, mas é também instinto sobrenatural.
O dom da Piedade consiste numa disposição sobrenatural que inclina a alma. Contudo, sob ação do Espírito Santo, comporta-se nas relações com Deus como criança carinhosa. Do mesmo modo, comporta-se com seu pai por quem se sabe imensamente amada e querida. Assim, desenvolve intimidade filial extraordinária com Deus Pai. O dom da Fortaleza é a capacidade que o Espírito Santo nos dá. Então, permite viver e suportar as provações unindo-as às provações de Cristo.
Dessa forma, a alma totalmente entregue ao Espírito encontra disposição sobrenatural. Por isso, torna-se capaz de empreender ações mais difíceis e suportar provas mais duras. O dom do Temor de Deus é disposição sobrenatural que faz experimentar imenso respeito por Deus. Assim, não se trata de temor servil, mas de temor reverencial. Contudo, Deus é tão grande e todo-poderoso que queremos servi-lo de todo coração. Enfim, como diz São Paulo: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gal 2,20).