02/11 – Comemoração dos Fiéis Defuntos

A comemoração dos Fiéis Defuntos representa um momento especial em que a Igreja convida os fiéis a recordar as almas dos irmãos já falecidos. Assim, em vez de propor hoje a veneração de um santo específico, a liturgia dedica-se à memória dos que partiram desta vida. Dessa forma, esta celebração instituiu-se para socorrer através de boas obras gerais os que não se beneficiam de orações específicas. Por isso, devemos esta tradição a uma iniciativa dos monges beneditinos por volta do ano 1000.

Estabelecimento da data litúrgica

O abade São Odilo, superior do mosteiro de Cluny na França, determinou que todos os conventos celebrassem ofício pelos defuntos na tarde de 1º de novembro. Então, a autoridade da Igreja adotou essa prática de tal modo que gradualmente universalizou-se a dedicação de 2 de novembro. Assim, esta data consolidou-se como momento privilegiado de oração e recordação pelos que nos precederam na fé.

Do mesmo modo, São Paulo apóstolo oferece-nos exortação consoladora: “Irmãos, não queremos que ignoreis o que se refere aos mortos”. Dessa forma, o Dia dos Finados não constitui dia de tristeza nem lamúrias, mas de saudosa recordação confortada pela fé. Contudo, esta fé garante continuidade do relacionamento com as almas através da oração.

Comemoração dos Fiéis Defuntos e o purgatório

A fé ensina-nos que existe lugar de purificação para as almas depois da morte. Por isso, toda criatura que morre carrega faltas, misérias e dívidas espirituais por pecados cometidos. Contudo, essas faltas impedem entrada direta no Reino de Deus, que constitui reino da santidade perfeita. Enfim, Deus em sua bondade providenciou lugar de purificação que a tradição da Igreja chama de purgatório.

Então, o Catecismo explica que todo pecado traz apego desordenado às criaturas que precisa purificação. Assim, pela solidariedade espiritual que existe entre batizados através da inserção no Corpo Místico de Cristo, podemos oferecer orações. Dessa forma, podemos oferecer sacrifícios em sufrágio das almas do purgatório. Do mesmo modo, esta doutrina já era conhecida no Antigo Testamento quando Judas Macabeu enviou ofertas ao Templo.

Tradição das orações de sufrágio

Orações de sufrágio em favor das almas sempre foram praticadas nas Igrejas desde os primeiros séculos. Dessa forma, nas catacumbas romanas onde sepultavam cristãos encontramos inúmeras inscrições alusivas a pedidos de orações. Do mesmo modo, Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho, ao falecer perto de Roma disse aos filhos: “Só peço que no altar de Deus vos lembreis de mim”.

Contudo, no Dia dos Finados a Igreja concede indulgência plenária aos que visitarem cemitério e rezarem pelos defuntos. Por isso, esta indulgência aplica-se somente aos falecidos. Enfim, também nas igrejas lucra-se indulgência plenária através de visita piedosa durante a qual se reza Pai-Nosso e Credo. Então, devem cumprir-se condições de confissão, comunhão e oração nas intenções do Papa. Assim, a comemoração dos Fiéis Defuntos mantém-se como expressão concreta da comunhão dos santos.

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