A Natividade de Nossa Senhora constitui uma das festas marianas mais antigas do cristianismo, celebrando o nascimento da Virgem Maria como preparação divina para a Encarnação. Assim, imagina-se que sua origem esteja ligada à festa da dedicação de uma igreja a Maria. Dessa forma, segundo a tradição, tratava-se da casa dos pais de Maria, Joaquim e Ana, localizada em Jerusalém. Por isso, a basílica de Santa Ana, construída no século IV, marca o local onde nasceu a Virgem. Desse modo, em Roma, esta festa começou a ser celebrada no século VIII, durante o pontificado do Papa Sérgio I.
Então, a Igreja católica não costuma celebrar o dia de nascimento dos santos, mas de sua morte. Contudo, existem três celebrações excepcionais de nascimento: de Jesus Cristo (Natal), de São João Batista e da própria Virgem Santíssima. Do mesmo modo, essa exceção demonstra a importância única desses nascimentos para a História da Salvação. Assim, São João Batista, ainda no ventre de Isabel, manifestou-se diante da proximidade de Maria, que esperava Jesus e fora visitar sua parente.
Natividade de Nossa Senhora: tradição e significado teológico
Então, nos Evangelhos não encontramos citações específicas sobre esta festa, tampouco os nomes dos pais de Maria. Assim, há apenas referências à Virgem Maria quando se trata de ressaltar algum fato relacionado ao Salvador. Dessa forma, a Palavra de Deus mostra-nos, mesmo discretamente, a presença de Maria nos momentos centrais da História da Salvação. Por isso, ela participa da Encarnação, da inauguração do ministério de Cristo, da crucifixão e do nascimento da Igreja com a vinda do Espírito Santo.
Contudo, os Evangelhos não fornecem informações sobre a família de Maria, sua infância, formação, temperamento ou aspecto físico. Desse modo, a tradição faz menção no Protoevangelho de Tiago, texto apócrifo escrito no século II. Do mesmo modo, embora esses escritos ofereçam detalhes, o acontecimento fundamental da vida de Maria continua sendo a Anunciação. Assim, a maravilha deste nascimento não está nos relatos apócrifos, mas no significativo passo que Deus dá na realização de seu eterno desígnio de amor.
Maria como modelo e intercessora
Então, Maria apresenta-se como mulher que deve ser imitada pela sua confiança, principalmente nos momentos mais obscuros da vida de seu Filho Jesus. Dessa forma, isso explica o fato do Povo de Deus recorrer a Ela para encontrar refúgio, conforto, ajuda e proteção. Por isso, a Igreja considera Maria não apenas como Mãe de Deus, mas também como discípula perfeita.
Do mesmo modo, Maria tornou-se exemplo e modelo de vida cristã através de sua fé, obediência ao Filho e caridade demonstrada com a prima Isabel e nas Bodas de Caná. Assim, sua vida exemplifica as virtudes que todos os cristãos devem cultivar. Dessa forma, ela intercede constantemente pelos fiéis junto ao seu Filho divino.
Celebração litúrgica e patronato
Então, a Natividade de Nossa Senhora celebra-se nove meses depois da solenidade da Imaculada Conceição (8 de dezembro), demonstrando a coerência litúrgica da Igreja. Assim, toda a Igreja convida à celebração: “Vinde, todas as nações, vinde, homens de todas as raças, línguas e idades, de todas as condições: com alegria celebremos a natividade da alegria!”, conforme proclama São João Damasceno.
Dessa forma, Nossa Senhora da Natividade é padroeira e protetora das costureiras. Do mesmo modo, protege os cozinheiros, destiladores, fabricantes de alfinetes e panos e da hospedaria. Por isso, esses patronatos demonstram como Maria abençoa as atividades laborais e domésticas dos fiéis. Enfim, sua intercessão maternal estende-se a todos os aspectos da vida humana, tornando-a verdadeira Mãe espiritual de toda a humanidade.